A NASA colocou no espaço em 30 de agosto de 2026 um telescópio construído para observar o Universo de um jeito diferente. O Nancy Grace Roman não tenta apenas enxergar mais longe. Sua grande vantagem é conseguir observar uma área enorme do céu de uma vez.
O observatório partiu da Flórida num foguete Falcon Heavy, da SpaceX, e iniciou uma viagem de aproximadamente 1,6 milhão de quilômetros até a região onde fará suas observações. A missão principal deve estudar energia escura, matéria escura, galáxias e planetas fora do Sistema Solar.
O nome homenageia Nancy Grace Roman, primeira chefe de astronomia da NASA e uma das pessoas que ajudaram a tornar o telescópio Hubble possível. A comparação com o Hubble é inevitável, mas os dois foram desenhados para trabalhos diferentes.
O Roman vê uma área do céu pelo menos 100 vezes maior
O espelho principal do Roman tem 2,4 metros de diâmetro, exatamente o mesmo tamanho do espelho do Hubble. A diferença está no campo de visão. Segundo a NASA, uma única imagem do Roman consegue cobrir uma área do céu pelo menos 100 vezes maior mantendo resolução comparável no infravermelho.
É como trocar uma lente de zoom por uma lente grande angular sem perder o nível de detalhe. O Hubble é excelente para estudar regiões específicas. O Roman foi feito para montar panoramas gigantes e observar grandes populações de galáxias e estrelas.
A NASA estima que seu instrumento principal poderá medir luz de cerca de um bilhão de galáxias durante a missão. Esse volume interessa porque algumas perguntas do Universo só aparecem quando cientistas conseguem comparar milhões ou bilhões de objetos, e não apenas alguns casos isolados.
O que energia escura tem a ver com a expansão do Universo
Desde o fim dos anos 1990, observações indicam que a expansão do Universo não está apenas continuando, mas acelerando. Os astrônomos deram o nome de energia escura ao que quer que esteja por trás desse comportamento, embora sua natureza ainda seja desconhecida.
O Roman vai medir como galáxias estão distribuídas e como a expansão mudou ao longo de bilhões de anos. Ao comparar essas estruturas em diferentes épocas da história cósmica, pesquisadores esperam restringir melhor as explicações possíveis para a aceleração.
O telescópio também vai procurar planetas
A missão não se limita ao Universo distante. O Roman vai observar regiões densas da Via Láctea em busca de microlentes gravitacionais, pequenas mudanças no brilho de uma estrela que podem denunciar a presença de um planeta passando pelo alinhamento certo.
A NASA espera encontrar mais de mil exoplanetas com essa técnica ao longo da missão. O telescópio também leva um coronógrafo experimental, instrumento projetado para bloquear a luz intensa de uma estrela e tornar mais fácil observar planetas próximos dela.
O Roman não substitui o James Webb nem o Hubble. O Webb consegue estudar objetos muito distantes com enorme sensibilidade. O Hubble continua produzindo imagens detalhadas. O Roman acrescenta outra capacidade: fazer levantamentos enormes do céu com rapidez.
É por isso que o lançamento interessa além das novas fotografias que certamente vão aparecer. O Roman foi criado para transformar o céu numa grande base de dados. Em vez de escolher apenas um objeto extraordinário, ele poderá mostrar padrões escondidos quando bilhões de objetos são observados juntos.









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