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A CIA passou anos testando se a mente podia enxergar à distância

O programa existiu de verdade. Órgãos de inteligência dos EUA financiaram testes de visão remota para tentar descrever lugares e objetos sem acesso direto a eles. Em 1995, a avaliação final considerou o método inútil para inteligência.

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A história parece roteiro de série, mas os documentos estão no próprio site da CIA. Durante anos, órgãos de inteligência dos Estados Unidos financiaram pesquisas para testar se algumas pessoas conseguiam descrever lugares, objetos ou acontecimentos sem vê-los diretamente.

A técnica ficou conhecida como visão remota. Um participante recebia poucas informações sobre um alvo, às vezes apenas coordenadas ou um código, e tentava relatar formas, construções, terrenos ou outros detalhes que supostamente estariam naquele lugar.

O interesse começou no começo dos anos 1970, em plena Guerra Fria. A preocupação não era apenas provar uma capacidade paranormal. Havia medo de que a União Soviética estivesse pesquisando fenômenos parecidos e pudesse encontrar alguma vantagem antes dos americanos.

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O programa existiu, mas isso não prova poderes psíquicos

A CIA afirma que conduziu pesquisas até 1977 e depois transferiu o trabalho para a Agência de Inteligência de Defesa dos Estados Unidos. Ao longo dos anos, programas relacionados receberam nomes diferentes. O conjunto de documentos que ficou conhecido pelo público inclui o Projeto Stargate.

Nos arquivos desclassificados existem relatórios de sessões em que participantes desenharam formas, descreveram terrenos e tentaram identificar instalações sem ter contato direto com o local. Alguns resultados foram considerados curiosos o suficiente para manter a pesquisa viva durante anos.

Esse é o ponto em que a história costuma ser exagerada. O fato de uma agência ter pesquisado um fenômeno não significa que tenha confirmado que ele funciona. Governos investigam hipóteses justamente para descobrir se algo tem valor, inclusive quando a resposta final pode ser negativa.

O que aconteceu quando o programa foi avaliado em 1995

Nos anos 1990, o programa voltou para a CIA com uma condição: uma equipe independente deveria avaliar o que havia sido produzido. Quatro pesquisadores do American Institutes for Research analisaram o material e entregaram um relatório em setembro de 1995.

Segundo a própria CIA, a avaliação encontrou experiências que pareciam apresentar resultados acima do que seria esperado apenas pelo acaso. O problema era transformar isso em uma ferramenta confiável. Os acertos eram inconsistentes, difíceis de repetir e não davam informações precisas o bastante para orientar operações reais.

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A conclusão prática foi simples. Mesmo que alguns resultados fossem interessantes para pesquisa, a visão remota era imprevisível demais para servir como método de inteligência. A CIA decidiu não restaurar o programa.

Por que ainda existe tanta confusão sobre o Stargate

Parte da confusão vem do próprio volume de documentos. O governo americano desclassificou milhares de páginas sobre sessões, protocolos, avaliações e experimentos. Quando alguém encontra um relatório descrevendo um acerto impressionante, é fácil apresentá-lo isoladamente como prova definitiva.

Mas a avaliação de uma técnica não depende de um caso memorável. Ela precisa funcionar repetidamente, entregar informação específica e permitir que outra equipe obtenha resultado parecido. Foi justamente aí que o programa falhou como ferramenta operacional.

Hoje, o aspecto mais interessante do Stargate talvez não seja decidir se alguém “viu” alguma coisa com a mente. É perceber até onde um governo estava disposto a investigar uma hipótese improvável quando acreditava que o adversário poderia estar fazendo o mesmo.

A CIA acabou colocando o próprio material à disposição do público. Isso torna a história mais interessante do que uma teoria secreta: o programa foi real, os testes foram reais, parte dos resultados intrigou os pesquisadores, e ainda assim a conclusão oficial foi de que aquilo não era confiável o bastante para ser usado.

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